ESPECTÁCULO     FOTOGRAFIAS   IMPRENSA


A ORELHA DE DEUS, de Jenny Schwarz

A encenação de Cristina Carvalhal dá corpo e forma à tristeza profundíssima de A Orelha de Deus, uma encenação na qual se destaca a tradução e o trabalho com os actores.

 (...) No início, as personagens organizam-se em dois blocos, as personagens reais e as personagens imaginárias. Ao longo do espectáculo uma e outra vão-se aproximando para, no final, assistirmos a uma troca, onde o onírico se materializa acelerando a passagem das personagens reais para o seu lado mais delirante e solitário.

 

Este jogo, e esta dupla de personagens, é uma constante no imaginário dos textos escolhidos por Cristina Carvalhal, que deste modo oscila entre tipos de representação mais verosímil e registos mais grotescos. Em A Orelha de Deus, isto é visível, por exemplo, no intervalo estilístico criado entre as personagens interpretadas por Manuel Wiborg (o pai), mais realista, e Cucha Carvalheiro (a fada dos dentes) mais “excêntrica”. Uma vez mais, Cristina Carvalhal constrói um grupo de intérpretes, um elenco que se apresenta nos seus lugares, (isto é, como se os seus lugares não pudessem ser preenchidos por mais ninguém)(...)

Pedro Manuel in Obscena 02-10-2009