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A PAIXÃO SEGUNDO EURICO, a partir de Alexandre Herculano

  (...) Submetida a uma dieta de dissecação, experimentação e reescrita, a obra de Herculano surge aqui como uma espécie de investigação sobre os mecanismos da paixão, posta em palco através de um trabalho físico de grande exigência, o texto entregue em pedaços envolvidos em linguagem simbólica onde se conjuga a interpretação com o cuidado desenho de luz de José Álvaro Correia e o despojado e eficaz espaço cénico criado por Ana Vaz. (...)

  

 

 A peça encarna mais do que a obra de Alexandre Herculano, através de jogos de luz e sombra, dos movimentos das personagens, do entrelaçar dos corpos, da feminilidade mesmo na guerra. A originalidade do tratamento do enredo recai fortemente sobre o facto do papel de Eurico ser interpretado, não só por três pessoas, mas também pelo facto de serem mulheres.

Um destaque dado à fusão entre actrizes e o espaço cénico. Nenhum pormenor é deixado ao acaso na Sala Estúdio. A força das interpretações vai muito além do impacto que o próprio texto carrega em si. O sofrimento é incorporado de forma soberba, a vontade de luta também. Se ao princípio reina a estranheza face àquilo que acontece em palco, no final a sensação é de enorme satisfação por se ter tido a oportunidade de assistir a tão completa obra de arte.

Espalha Factos em 2011/12/03