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As Ondas,a partir de Virginia Woolf

 

“É conhecida a reputação deste romance de Virginia Wolf: um romance quase impossível onde, segundo Jorge Luís Borges, "não há argumento, não há conversa, não há acção"; (...)

É preciso um grande atrevimento, o atrevimento da juventude para levar à cena As ondas mas o resultado é notável. As ondas, aqui numa versão para cinco personagens presentes e uma ausente mas sempre referenciada conjugam-se como uma partitura musical e assim se cumpre um dos desígnios da obra. Mais do que um espectáculo de interpretação estas Ondas são uma obra de vozes e de escuta. Das vozes interiores das personagens da infância à beira da morte que fluem num contínuo literário e das vozes belíssimas dos actores. (...)

Nestas ondas existem múltiplas referências a uma cultura visual que tornam esta obra densa e de múltiplas referências: lá está a densidade bergmaniana, a alegria de uma ceia pagã, um desenho antigo de Nuno Carinhas que é um beijo, os fragmentos musicais que o texto invoca nas suas nove partes e um classicismo de bom gosto no serviço de chá, nos vestidos das três mulheres, na toalha de linho, nos gestos das personagens. (...) ”

António Pinto Ribeiro, Dez 2013

 

“ (...) O espectáculo encenado por Sara Carinhas, que foi também a autora do projecto, centra-se, de maneira exemplarmente sóbria, num espaço ocupado por uma mesa e por cadeiras. (...) ”

João Carneiro in EXPRESSO / ATUALl, Dez 2013

 

“ (...) Voltando à encenação propriamente dita, que mesmo deixando de fora, fisicamente, uma personagem, acompanha o essencial das nove etapas do original, Carinhas lança o elenco (...) na “acção” como quem orquestra uma lírica, acrescentando musicalidade à manipulação interior do sentido de identidade das personagens, o seu percurso pelo tempo reflectido no mais chão, mas nem por isso menos significante movimento do sol ao longo de um dia. E assim constrói uma peça melódica e harmoniosa e tocante, ritmada como um poema de câmara.”

Rui Monteiro in TIME OUT, Dez 2013